Cólera dos Justos nos Reinos Esquecidos

O Senhor do Oitavo Inferno e um Velho Sábio dos Vales

Quando o último deles saltou pela janela, Ileosa ainda sentia o forte cheiro de enxofre na sala. Seus pêlos arrepiavam-se ante a estática arcana da armadilha que, mesmo não tendo sido disparada, não conseguiu evitar que Radiante fosse recuperada pelos insolentes que haviam-na desafiado, já pela segunda vez. A lendária arma sagrada que seria corrompida para uso de algum cavaleiro bruxo contra os demônios da Chaga do Mundo estava agora muito longe de seu alcance.

Ela observava a figura imponente do arquidiabo, e jamais o vira com o olhar que ele destinava para o mago ancião do outro lado da sala, que fumava um cachimbo. Uma mistura de ódio, respeito, cautela e até mesmo admiração; pensou ela sem compreender ao certo quem era aquele que, de maneira fútil e tola, desafiava o ser mais poderoso que ela já havia encontrado em seus pouco mais de vinte invernos.

- Sua insolência realmente lhe cai bem, Sábio dos Vales – disse o ser diabólico que, manifestado em sua forma física no Plano Material, tinha uma estrutura ameaçadora e imensa, com mais de três metros de altura. Suas asas eram majestosas, seus chifres eram imponentes e sua face era diabolicamente bela, mas a expressão e os dentes cerrados denotavam o quando Mephistopheles estava com raiva. – Você está apenas adiando o inevitável, já que nós prevaleceremos sobre os demônios da Chaga do Mundo.

Ileosa passou a observar e analisar o homem aparentemente insano que aparecera subidamente em seus aposentos, e que lhe roubara, junto com aqueles malditos aventureiros, parte da glória de seu momento de ascensão à realeza do reino de Damara. Ele parecia um homem bastante velho, embora vigoroso e com um bom porte físico. Provavelmente tinha idade para ser seu avô, mas ela sentiu-se curiosamente atraída por ele. Seus olhos demonstravam que ele já teria visto e vivido muito mais tempo do que seu cansado corpo aparentava demonstrar, e os paramentos e itens encantados que ele carregava, como a magnífica espada com um leão entalhado em sua empunhadura ou o seu exótico e engraçado cachimbo, certamente indicavam que ele não era qualquer um.

- Não me interessam os conflitos que vocês, diabos e demônios, possuem em sua Guerra Sangrenta, desde que eles permaneçam em seus planos inferiores – respondeu o sábio, afrontando aquele que era o mestre, tutor e amante de Ileosa, e que havia acabado de colocar uma coroa em sua cabeça. A jovem ficou ainda mais atônita, e talvez mais excitada, ao observar aquele diálogo que certamente evoluiria para algo mais visceral.

- A Guerra Sangrenta afeta a todos os mundos do Multiverso, tolo! Seu precioso mundo é apenas um dos infinitos outros existentes em suas frágeis esferas de cristal. Um mundo importante e valioso, até certo ponto, mas apenas mais um deles. Terei um prazer inenarrável em fazer de Faerûn mais um campo de batalha deste conflito. Alías, agradeça a um dos seus valiosos mortais, já que foi por culpa de Aarelu Vorlesh que Deskari retornou, foi ela quem abriu a passagem que mortal nenhum será capaz de fechar – a última expressão de Mephistopheles encerrou-se com um sorriso, o primeiro que ele dera desde a chegada daquele estranho.

Ileosa absorvia tudo o que ocorria por ali. Cada informação, sentimento, provocação e expressão que os dois oponentes trocavam entre si. Em algum canto obscuro de sua mente, ela sentia-se lisonjeada de presenciar esse encontro, e imaginou o quanto outras pessoas, nos mais longínquos cantos do Multiverso não desejariam presenciar o que ela estava vendo naquele instante.

- Suas desilusões vão muito além do que pensa, diabo. É por esta razão que jamais irá conseguir derrotar seu inimigo jurado, Baalzebul, ou mesmo tomar o trono de Asmodeus como tirano e governante dos Nove Infernos. Acho até que ele permite que você governe o Oitavo Círculo, pois o verdadeiro Senhor de Baator precisa de um bom porteiro. – o sorriso e escárnio do velho demonstravam o quanto ele não se importava com quem ele dirigia a palavra.

Por muito pouco Ileosa não gargalhou alto ao ouvir aquilo. O tom de rebeldia do estranho, sábio, arquimago e muito em breve cadáver lhe lembrava de um período na qual o seu livre arbítrio ainda era realmente livre. Com certa tristeza e talvez arrependimento ela lembrou-se que jamais teria a sua alma de volta, e que talvez ela tivesse feito a escolha errada, ao entregá-la para Mephistopheles. Tal pensamento, contudo, foi bastante breve.

- CHEGA! Você irá para o mesmo lugar que a vadia da sua deusa está! Sua forma mortal apodrecerá por toda eternidade no Plano Astral, e terei prazer em banquetear-me com a alma de um Escolhido de Mystra! – Mephisto iniciou um intrincado e complexo encantamento, e por um momento tanto o Plano Material quanto Cania, o Oitavo dos Nove Infernos, ocuparam o mesmo lugar no tempo e no espaço. Ileosa via formais espectrais de diabos insectóides segurando lanças, alabardas e outras armas de haste imensas, e notou um horizonte glacial e aterrorizante, completamente ausente de vida e esperança. Um vento cortante e impiedoso rasgava suas vestes e seu esguio e belo corpo, e pela primeira vez ela manifestou-se, gritando e dor e caindo já desacordada no chão.

Então, de repente, tudo acabou. Ileosa levantou-se, ainda zonza, e viu o seu quarto completamente destruído. Os móveis que haviam sido feito do mogno mais nobre dos Reinos, as sedas que haviam percorrido milhares de quilômetros da ardente Calimsham e outros objetos que vieram desde os mercados de escravos de Thay até as florestas próximas a Neverwinter, tudo estava queimado pelas chamas infernais de Mephisto. Ainda assim, Ileosa sentia um frio congelante, maior do que o mais rigoroso dos invernos das Terras Gélidas.

Em algum lugar do Cosmo, a poeira mágica que formava o vestígio de Mystra materializou-se para manifestar a face da antiga Dama dos Mistérios, que derramou apenas uma lágrima solitária de lamento.

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Report da Sessão 6 - Becoming Mythic
O dia em que tudo mudou

Jogo RPG há 15 anos e ontem joguei uma das melhores sessões da minha vida.

É engraçado porque, normalmente, eu jamais chamaria uma noite de RPG resumida a um único combate como uma grande sessão. Mas ontem foi.

Talvez devido a expectativa gerada pelas semanas de espera, pela ansiedade em testar os poderes épicos ou pelo fato de ter dado tudo certo no final. Só sei que no instante em que a sessão acabou, eu sabia que algo grandioso tinha acontecido ali.

Agora que posso parar para pensar nas três horas e meia que passamos em Faêrun ontem, acredito que o principal fator tenha sido a forma como tudo se desenvolveu. Foi uma sessão dramática, sem deixar de ter seus momentos de descontração. Foi difícil, mas sem podar a possibilidade de realizar atos épicos. Foi combativa, mas ao mesmo tempo extremamente carregada de roleplay.

E é claro, não poderia deixar de falar do senso de realidade que tive neste combate. Sejamos sinceros, apesar das boas ideias e da interpretação por vezes acima da média, este nosso grupo tem um pézinho no Power Game (alguns de nós os dois pés), o que faz com que encaremos os combates mais como um desafio de malha, o que não é errado. O grupo se diverte tentando tirar o máximo de seu party play para vencer os desafios.

Ontem, porém, o combate era tão monstruoso e estávamos todos tão envolvidos, que pela primeira vez em muito tempo pude sentir que as coisas estavam fora do controle de cada um em Off. Digo, eu sabia o que eu tinha que fazer, mas tinha tantos elementos que eu não conseguia manter registro do que cada um dos jogadores estavam fazendo e o que cada um dos inimigos representava.

Eu sabia que Victória estava atirando e matando os menores, sabia que Ragnar estava bloqueando a passagem dos montados, que Kalos tinha ido para o meio do palanque e tentava resgatar os amigos e que o Cláudio… bem ,estava sendo o Cláudio. Mas não sabia exatamente como isso acontecia e quais estratégias estavam sendo usadas. Eu apenas confiava que cada um fazia sua parte.

Imagino que esta seja exatamente a sensação de um grupo de aventureiros em um combate como aquele. Você não tem como ficar de olho em cada um de seus companheiros, você precisa confiar que eles vão fazer o melhor que podem para o bem de todos. E sentir isso em Off foi muito legal.

Gostaria de terminar esta pequena resenha com um agradecimento à sua dedicação ao jogo, desde a construção e adaptação da história, até pequenos detalhes, como separar as minis certas para cada monstro. Os jogadores não fazem ideia de como estas pequenas coisas dão trabalho.

Abraços,

Flávio Bonanome

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Welcome to your campaign!
A blog for your campaign

Wondering how to get started? Here are a few tips:

1. Invite your players

Invite them with either their email address or their Obsidian Portal username.

2. Edit your home page

Make a few changes to the home page and give people an idea of what your campaign is about. That will let people know you’re serious and not just playing with the system.

3. Choose a theme

If you want to set a specific mood for your campaign, we have several backgrounds to choose from. Accentuate it by creating a top banner image.

4. Create some NPCs

Characters form the core of every campaign, so take a few minutes to list out the major NPCs in your campaign.

A quick tip: The “+” icon in the top right of every section is how to add a new item, whether it’s a new character or adventure log post, or anything else.

5. Write your first Adventure Log post

The adventure log is where you list the sessions and adventures your party has been on, but for now, we suggest doing a very light “story so far” post. Just give a brief overview of what the party has done up to this point. After each future session, create a new post detailing that night’s adventures.

One final tip: Don’t stress about making your Obsidian Portal campaign look perfect. Instead, just make it work for you and your group. If everyone is having fun, then you’re using Obsidian Portal exactly as it was designed, even if your adventure log isn’t always up to date or your characters don’t all have portrait pictures.

That’s it! The rest is up to your and your players.

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